“EDUARDO DOS SANTOS, E ASSIM ENTÃO ESTÁ A NOS ABANDONAR?” DESABAFOU UMA DAS VÍTIMAS DAS CHUVAS DE MARÇO DE 2015 E QUE SE ENCONTRA NAS TENDAS, NOS CABRAIS (Vídeo)


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23.10.2016

“EDUARDO DOS SANTOS, E ASSIM ENTÃO ESTÁ A NOS ABANDONAR?” DESABAFOU UMA DAS VÍTIMAS DAS CHUVAS DE MARÇO DE 2015 E QUE SE ENCONTRA NAS TENDAS, NOS CABRAIS

“Não estão a ver que eu estou limpa? Na semana passada fui-me lavar na Catumbela, amarrei a minha roupa e fui lavar na Catumbela”

Domingas Nalembe é uma dos populares que falou da situação que vivem, durante o encontro organizado pelas associações AJS, CRB e a OMUNGA a 19 de Outubro, no bairro dos Cabrais, a mais de 20 km da cidade do Lobito.

Vítima das chuvas que afetaram o Lobito e a Catumbela em Março de 2015, continua a viver em tendas na zona de assentamento.

“O governo nos tirou da zona de risco e agradecemos, chegámos aqui. O governo deve nos acompanhar com a água. Os nossos filhos estão na escola. Se forem lá visitas não vai dar vergonha?

Sobre comida nós não reclamamos. Às vezes a pessoa lhe deram quinhentos vai comprar comida e vai cozinhar como (?) se não tem água?

Essas crianças são do governo. Nós já somos velhos e esses que estamos a nascer é que são do governo.

Comida não podemos reclamar porque já estamos há um ano sem receber, não tem comida! Não tem comida! Não tem comida!

Assim, afinal, ele fez bem que nos tirou da zona de risco! Os meus filhos foram com a água. Estou a desenrascar sozinha. Quando vou no mato buscar a lenha, correm connosco. Estão a dizer que vão embora, não cortem aqui a lenha. Afinal vou-me sustentar como (?) se não tenho dinheiro nem filho que me ajuda? Assim vamos só morrer de fome e sede? Vamos no Culango? É longe. Vamos no Biópio? É longe! Vamos buscar aonde se não temos dinheiro?”

De acordo a dados fornecidos pela Administração de Zona dos Cabrais, foram transferidos para a zona dos “Cabrais” 2701 moradores, entre e crianças, jovens e adultos, num total de 200 famílias, vindas do Kamulingue.

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Mais de 500 famílias dos municípios da Catumbela e Lobito foram afectadas pelo incidente das chuvas de 11 de Março de 2015. Entretanto, 375 famílias seriam contempladas no processo de reassentamento no centro de acolhimento provisório do Kamulingue, situado a mais de 10 km do centro da cidade do Lobito. Com a previsão de uma estadia de 4 meses naquele centro, 6 meses depois, as populações são transladadas para o lugar identificado pelo governo provincial de Benguela onde deveriam ser erguidas as residências definitivas dos populares afectados e selecionados.

“Conforme me estão a ver que estou limpa, fui-me lavar na Catumbela, fui de boleia. Este lenço é que eu usei. Pedi, meus filhos me levem só! Só assim me aceitaram levar. Disseram que a mamã é da OMA. Só assim fui lavar(!) com a roupa nos meus filhos que estudam.  São filhos do governo!”, continuava Domingas Nalembe, enquanto mostrava o seu lenço amarelo, que trazia à cabeça e que normalmente é usado pelas mulheres da OMA, organização feminina do MPLA.

“Eduardo dos Santos(!), e assim então está a nos abandonar? Ele nos trouxe aqui na mata, tem que nos visitar”, continuou a anciã.

“Eu terminei por aqui. Se quiserem nos ajudar, nos ajudem, nós estamos aqui”, concluiu.


Vídeo e fotografia de Domingos Mário

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