RESUMO DA 19ª EDIÇÃO DO PROGRAMA RADIOFÓNICO “CORRUPÇÃO É CRIME”   Recentemente updated!


No dia 2 de Setembro, a Omunga no âmbito do projecto Corrupção é Crime, realizou a 19ª edição do programa radiofónico, onde abordou a temática sobre “AS DIFICULDADES NO ACESSO AO ENSINO PRIMÁRIO, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS”

Em estúdio estiveram: Remígio Fono, Secretário do Sindicato dos Profissionais da Educação, Ciência e tecnologia em Benguela, Eduardo Ngumbe, Encarregado de Educação.

Em nota de introdução, O encarregado de educação, Eduardo Ngumbe, lembrou o discurso da Ministra da Educação Luísa Grilo, que dão conta do ingresso de novos alunos em Angola e dados apresentados pela direcção municipal da educação do Lobito, ele diz não existir um compromisso sério com a educação em Angola.

“Repara que as salas provisórias de que o administrador se referiu no Lobito, são aquelas que conhecemos e que não se pode considerar um lugar para se assistir aulas. Continuamos a ver muitas crianças ainda a estudarem em salas construídas com chapas de zinco, e se consideramos o número de vagas disponíveis não há aqui um compromisso com o sistema de ensino no país”

Eduardo Ngumbe, contou também sobre a sua experiência que teve no acto de matricula pela primeira vez para seu educando. Ele conta que não conseguiu matricular um dos seus filhos na escola pública porque onde tencionava os funcionários daquela instituição escolar alegava não haver vagas. “ Isto só mostra que as crianças que se encontram fora do sistema de ensino no país, não são culpadas, entretanto, leva-nos a nós como encarregado à uma reflexão: O estado ao negar estas crianças , obriga-nos a matricular os nossos filhos nas escolas privadas, e nós sabemos  que são os donos  destas instituições”.

O Secretário do Sindicato dos Profissionais da Educação, Ciência e tecnologia em Benguela, Remígio Fono, ouvindo atentamente as dificuldades que  Eduardo Ngumbe  teve para matricular o seu educando, rebateu dizendo que o mesmo cometeu um erro de não se insistir o pedido à    direcção  da escola e ficar apenas com as informações dadas pelas secretária. Rematando, o secretário Remígio disse que o problema está nas pessoas.

“Eu não diria que o MPLA é o culpado destas dificuldades, mas sim a demanda, ou seja, os alunos são muitos e as escolas são poucas. Vejamos que a escolas estão sendo construídas, mas mesmo assim não correspondem com a demanda populacional. “disse o secretário dos profissionais de educação, ciência e tecnologia.

Para Eduardo Ngumbe, as soletrações de vagas para novos alunos não podem ser dirigidas de forma pessoal porque isso promove a corrupção pessoal, e que não se deve optar pelos discursos de “amiguismos” também.

Tendo em conta os estudos realizados pelo fundo das nações unidas infância que dão conta que angola tem mais dois milhões de crianças em idade escolar, mas que não beneficiam do direito à educação.  O secretário do sindicato dos profissionais da educação, ciência e tecnologia, foi questionado se é necessário continuar discutir sobre o fracasso do sistema educativo em angola, ele respondeu: Realmente a demanda no nosso país ultrapassa a necessidade.

Eu quero começar falar as duas etapas dos sistemas de educação do país. Que comecemos a situar os problemas no tempo e no espaço. Não se pode comparar a vigência do ex presidente da república com a do actual, porque cada fase é uma fase e cada pessoa é uma pessoa. Desde 2017, que as modalidades de aplicação na visão do próprio desenvolvimento.”

Para o ouvinte Lucas Katiavala: Esta é uma situação recorrente que tem acontecido constantemente. Temos vistos que todos anos há crianças ficando fora do sistema de ensino e isto tem sempre um culpado e a culpa não deve morrer solteira. É claro que tem que haver políticas governativas, ou seja, que a governação tem que acompanhar o crescimento populacional. Agora se eu como governo desconheço quantas pessoas no ponto de vista estatísticos irão nascer. Não se justifica em pleno século vinte um, no país   discutir mais sobre a educação, enquanto que noutras regiões a discussão é sobre a tendências tecnológicas.

Para o internauta António Santandi:” dificuldades de acesso ao ensino primário, dá ideia de que o instituto de estatística não faz nada ou que faz, entretanto não é ouvida. É necessário que a construção de escolas acompanhe a taxa de natalidade e para tal é imperativo que os tomadores de decisões estejam interessados com Angola e os angolanos!”

Já para o internauta Jonas Mandela, “Dificuldades no acesso ao ensino primário: O causador dessas dificuldades é o partido que governa, porque nunca esteve interessado em combater o índice de analfabetismo no país’ por isso é que está no sono e que nem acompanha o índice do crescimento populacional. As consequências são várias, uma delas é este que estamos a ouvir aí na rádio, o Sr aí do painel, em vez de defender os seus filiados, esta defender o partido da situação.”

Para ou ouvinte Afonso Tchilembo: “Sobre as dificuldades de ingressar novos alunos no sistema educativo, o governo não tem sido preparado. Obviamente que se queira que o meu filho estude eu recorro pratica da corrupção. Há directores que recebem processos em casa, eles matriculam aqueles que viram com de casa e só depois o grupo alvo.”

Quanto à questão que tem que ver com os problemas apresentados pelos ouvintes sobre  as consequências que podem advir tendo em conta o número de crianças que se encontram  fora do sistema de ensino, o secretário do sindicato dos profissionais de educação, ciência e tecnologia, Remígio Fono, disse que as consequências são conhecidas e, apegando-se no pensamento de Nelson Mandela de que “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, o secretário, disse que o analfabetismo não desenvolve nenhum país, e que o estado angolano deve ter muito cuidado com o ensino primário porque é a base e o indivíduo molda-se logo a prior. E acrescentou também que angola teve um analfabetismo muito alto e que representava um cenário muito preocupante.

Para o Eduardo Ngumbe, as consequências resultam de um problema que educação que se tem. Existe sim uma certa desorientação do ponto de vista de estruturas governamentais e tudo isto indica que não há sincronia entre o executivo alto e baixo. Os encarregados não podem ser obrigados a pagarem as comparticipações tal como se verifica nalgumas instituições públicas do país e que muitos preferem se remeterem ao silêncio.

Para o internauta   Marcelino Miguel: “A dificuldade de acesso ao ensino primário cinge-se na falta de escolas. Não devemos pensar que com 4 salas de aulas vamos resolver problemas básicos de educação. O que o governo constrói é uma casa para um cidadão viver. As dificuldades de acesso só serão minimizadas se termos como foco no mínimo 12 salas de aulas e estruturas que sejam duráveis. Para verem que no Lobito em 20 anos só se construiu em média 6 a 8 escolas.”

Com base nas dificuldades que muitos encarregado de educação passaram no acto das matriculas pela primeira vez dos seus filhos, em gesto de conclusão, o secretário dos profissionais da educação, ciência e tecnologia, Remígio Fono, disse que a solução destes problemas parte na construção de mais escolas públicas.

Eduardo Ngumbe, concluiu que a única solução é tirar o partido no poder, o MPLA.

O Debate Radiofónico sobre a Corrupção é realizado quinzenalmente a partir das 8h30 na rádio Eclésia de Benguela e conta com o apoio da Misereor.

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