RESUMO DA 17ª EDIÇÃO DO PROGRAMA RADIOFÓNICO “CORRUPÇÃO É CRIME”


No dia 29 de Julho, a Omunga no âmbito do projecto Corrupção é Crime, realizou a 17ª edição do programa radiofónico, onde abordou a temática sobre “O ENVOLVIMENTO DOS MOVIMENTOS JUVENIS NO COMBATE A CORRUPÇÃO”.

Em estúdio estiveram: João Guerra, Representante da Comissão de Justiça e Paz; Sílvio Muazelo, Representante do Conselho Provincial da Juventude de Benguela; Júlio Lofa Martinho, Coordenador Executivo da Associação Juvenil para a Solidariedade.

Em nota de introdução, o representante do conselho provincial da juventude de Benguela, salientou que o combate à corrupção é uma boa iniciativa para melhorarmos a governação na nossa nação, os casos com os quais nos temos deparado, são bom sinal que nos levam a entender que algumas coisas têm feito para erradicarmos esse mal que assola Angola.

Para Júlio Lofa, é um bom sinal a pré-disposição dos cidadãos em combater a corrupção, a corrupção tem efeitos devastadores para qualquer sociedade ou comunidade, a corrupção é daquelas guerras que pode devasta completamente uma sociedade. Actualmente podemos entender e sentimos as evidências desses meandros, o combate à corrupção deve ser prático e tem que apresentar resultados palpáveis do ponto de vista da saúde, da educação e do bem-estar das pessoas. O combate à corrupção na estrutura de 2017 para cá, parece estar sempre em fases iniciais, porque considerarmos que essa luta esteja ligada à campanha do presidente da república. “nós não sentimos os efeitos práticos do combate à corrupção, porque se um pai decide realizar cortes, o efeito desses cortes devem se repercutir imediatamente na família” disse.

Para João Guerra enquanto representante da comissão de justiça e paz, a corrupção em angola tem raízes muito profundas, é muito bom realizarmos debates porque precisamos envolver toda a sociedade no combate a corrupção. O nosso país teve muitas etapas históricas com muitos altos e baixos, e durante muito tempo depois da independência, os angolanos estiveram divididos, depois chegamos num momento de democracia que veio muito mal recebida porque não tínhamos nenhuma preparação moral, quando demos conta decidimos parar, mas paramos tarde porque muitas pessoas tinham criado em si a chamada sindrome do orgulho, o que nos leva à corrupção. “Olhando para o que se passa na sociedade angolana, enquanto comissão de justiça e paz podemos dizer que há um assalto à vida humana, e se queremos resolver, não podemos abordar os assuntos com tabus, porque o que se está a fazer é tentar repor o comboio por cima dos caris” disse.

A paz exige justiça e moral, e precisamos de muito para reparamos os danos no nosso país, porque a corrupção afectou todos os sectores. A educação é importante, mas precisamos rever que tipos de educação, porque já tivemos vários e não obtivemos grandes resultados.

Conselho Provincial da Juventude – Para o representante do Conselho Provincial da Juventude, a sua instituição é um parceiro do estado, em relação ao combate à corrupção, existe uma iniciativa implementada pelo CNJ denominada “Corrupção Não”, que visa incentivar os cidadãos a denunciarem os actos de corrupção e que também pretende realizar campanhas de sensibilização sobre a corrupção.

“Mediante campanhas e discursos o CNJ tem apelando a não prática da corrupção através das campanhas, e têm sentido resultados de um nível satisfatório, porque estamos a ver o receio de alguns gestores públicos e não só que estão a se separar das práticas de corrupção”, disse o representante.

AJS – Júlio Lofa Martinho afirmou que  a sua associação AJS é membro do conselho provincial da juventude de Benguela e membro do conselho municipal da juventude no município do Lobito, Salientou que  sentimos alguma dificuldade em aproveitar o conselho como ele deveria ser, porque o conselho é um suporte do executivo angolano que poderia fazer a partilha de informações e advogar fortemente para que as questões da juventude fossem resolvidas. Ainda encontramos nos bastidores associações que não se revêm no conselho, porque vêm no conselho alguma influência directa da juventude do movimento popular de libertação de Angola JMPLA. “Nós temos um país maioritariamente jovem e se essa maioria jovem independente do seu credo religioso, políticos e social, se envolvessem todos no combate à corrupção acreditamos que até os mais adultos teriam receio de praticar a corrupção, porque a corrupção é mais praticada pelos adultos do que pelos jovens”, disse.

O grupo de escuteiros é o que mais alberga jovens ao nível de Angola, precisamos saber como aproveitar esse grupo de formas a termos uma juventude mais forte e activa no combate à corrupção. Temos estado a apelar para a inculcação dos valores morais e cívicos para a sociedade, mas actualmente. “Sentimos um retrocesso muito grande nesse aspecto”.

Não precisamos desrespeitar as pessoas por praticarem a corrupção, mas também não podemos proteger os corruptos. Em Angola existe um ambiente muito favorável à corrupção que muitas vezes acaba expondo a todos nós na corrupção e muitos cidadãos estão envolvidos sem se apercebem.

Comissão de Justiça e Paz – Comissão de justiça e paz: os jovens e a sociedade devem ser despertados e quem tem um grande poder de despertar é a comunicação social. A juventude desde sempre ficou como uma alavanca da sociedade. Em Angola não foram os idosos que libertaram o país, porque na luta pela independência foram os jovens que lutaram para libertarem Angola, e hoje os jovens devem ser despertados para advogarem pela melhoria do ambiente em que vivemos. Talvez por causa de muitos trabalhos os tribunais, governos e outros estejam adormecidos, e os jovens devem despertar para acordar aqueles que estão a dormir.

Durante o debate o Internauta Bernardo Arantes comentou: Saudações a todos.

Para dizer que estou a acompanhar o programa desde o princípio e as intervenções do senhor evangelista são realistas porque a tempos que a questão da moral deixou de existir neste país principalmente por parte dos que governam. A falta de amor ao próximo faz com que a corrupção seja vista como uma forma de melhorar a vida por parte de quem governa. Porque é lamentável saber que milhões de angolanos passam fome, vivem sem uma habitação condigna, com um sistema de saúde péssima, escolas que deixam a desejar enquanto que aqueles que deviam proporcionar uma vida condigna aos cidadãos usufruem de todos bens só para si…

Comissão de Justiça e Paz – Nesta luta que se quer fazer, a educação é muito importante para a juventude, nós temos que apelar também as igrejas, porque nas igrejas estão envolvidas todas as franjas da sociedade, precisamos rever que tipo de mensagem as igrejas estão a passar, porque quando as igrejas falam mais de dinheiro em vez da moralidade e do amor de Deus então os jovens ficarão com a consciência de um corrupto. “A nossa geração está podre de corrupção, e nós devemos recuperar o amanhã, mas para isso as escolas devem pôr em conta que hoje não precisamos muitos de outras áreas, precisamos que as escolas formem pessoas que saibam dizer e diferenciar entre o bem e o mal”.

É verdade que nas escolas precisamos de outras línguas, mas o mais importante é colocarmos na mente das pessoas, o respeito pelos bens da nação. Hoje muitos jovens também estão envolvidos em actos de corrupção e isto é causado pela falta de educação.

Conselho Provincial da Juventude: a Mídia tem um papel muito importante porque a corrupção afecta todos os sectores sociais de um país. O combate a corrupção deve contar com o envolvimento de toda a sociedade.

Em troca de palavras, o representante do CPJ disse ser normal que nem todos se revejam no conselho da juventude e Júlio Lofa rematou dizendo que o não pode ser normal, porque o conselho não é do executivo, o conselho da juventude é um grupo juvenil que pertence ao estado. Neste estado Angola é preciso que as pessoas sejam pró-estado e o desafio do conselho deve ser o de congregar todas essas associações juvenis.

Sílvio Mwazelo disse que precisamos lembrar que as associações juvenis têm estatuto, e se uma organização não quer se juntar ao conselho, devemos entender e deixar que elas tomem a sua própria decisão.

Assistimos actualmente uma grande participação de movimentos juvenis em torno da sociedade, cada movimento tem a sua agenda, e se um grupo juvenil ver que no conselho a execução do seu programa estiver reduzida, eles têm o direito de sair.

Comissão de Justiça e Paz – Para o evangelista João Guerra, o problema em Angola é que a política está suja, e basta um dos partidos ter uma mão maior num movimento, este fica imediatamente conotado. Por causa do timbre que o conselho da juventude tem, onde é acusado de ter uma possível mão do MPLA então é provável que os grupos juvenis se reservem.

Durante o debate, o internauta Abílio Múvia comentou na página facebook da Omunga: “É importante o contributo dos movimentos juvenis no processo de combate a corrupção, sendo a juventude a continuidade de uma determinada sociedade, mais do que confiar nos seus governantes é preciso controlar os actos, as ações dos governantes.

Um dos indicadores que contribui na corrupção, é a forma de pagamento de bens e serviços, o pagamento de um bem seria em parcela ou por prestação e não em vulto ou em muita quantia.

Olhando para o salário mínimo do nacional, e os preços dos bens e serviços, isso de certa forma assedia a Corrupção….

Bom debate aos painelistas

Comissão de Justiça e Paz – Para o evangelista, o bom do combate à corrupção é que ouve a iniciativa e se começou, porque toda resolução de todo conflito deve ter um início. Devemos começar a combater a impunidade e se agora vemos que pessoas do mais alto nível estão a ir parar na cadeia isso já nos alegra.

O pior corrupto que podemos considerar são aqueles que se encontram nas secretarias dos chefes, porque quando colocas um documento na secretaria, a pessoa que está lá sentada é que começa a pedir gasosa e se não lhe dares, ela será capaz de colocar o teu documento em baixo.

“No Posto policial do Catengue eu ví o agente da polícia a dizer ao motorista para lhe dar alguma coisa para este não receber multa”.

Conselho Provincial da Juventude – Sílvio Muazelo salientou que não podemos dizer que o combate à corrupção é uma farsa, porque está a ser um esforço muito grande, é verdade que não será resolvida agora, mas devemos apoiar e lutar para que este mal seja erradicado da sociedade.

AJS – Júlio Loja salientou que a escola tem um papel muito grande no combate à corrupção, mas a nossa escola actualmente tem um papel invertido, por conta de uma interferência muito grande dos partidos o que dificulta a certa implementação. Hoje as pessoas vão fazer matrículas com um atestado médico e um cartão de vacinas que não existem, porque as pessoas quando vão tratar esses documentos, não são testadas e muito menos vacinadas, o cidadão quando necessitado é obrigado a tratar porque sem aquilo ele não irá conseguir ultrapassar aquela barreira que o estado colocou.

Para Sílvio actualmente os documentos médicos para fins são tratados apenas em instituições específicas.

O Internauta Jonas Mandela comentou: “Hora viva bom dia a todos painelistas deste maravilhoso programa radiofónico e ao jornalista em particular.

Indo diretamente ao tema; factualmente o propalado combate à corrupção em Angola, não passa de uma novela Turco. porque se fosse sério, nós “Povo” sentiríamos resultados palpáveis.

Ex : na saúde e a cesta básica, ou seja

Em Angola não há combate à corrupção, o que há aqui é combate contra às pessoas que não convém”.

Em nota de conclusão João Guerra salientou que hoje queremos que a juventude se envolva mais neste combate à corrupção, precisamos que os jovens trabalhem a sua consciência com formações e saber ouvir, devemos falar menos e ouvir mais. Para o conselho da juventude, deve promover actividades nos bairros e que envolvem os sobas, a Omunga deve continuar com esses debates para despertar a consciência dos cidadãos. Queremos amanhã um pais respeitado e isso depende de todos nós.

Júlio Lofa –  foi interessante a conversa e interessa dizer que em alusão ao mês da Juventude muitas Organizações como a ADRA, OIC, AJS, CPJ e outras, estão envolvidas na realização da conferência provincial da Juventude

Para Sílvio, importa dar uma nota positiva ao combate contra a corrupção e os movimentos juvenis devem ser activos e não ficarem de parte a este processo de combate à corrupção.

O Debate Radiofónico sobre a Corrupção é realizado quinzenalmente a partir das 8h30 na rádio Ecclésia de Benguela e conta com o apoio da Misereor.

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