RESUMO DA 12ª EDIÇÃO DO PROGRAMA RADIOFÓNICO “CORRUPÇÃO É CRIME”


RESUMO DA 12ª EDIÇÃO DO PROGRAMA RADIOFÓNICO “CORRUPÇÃO É CRIME”

TEMA: A FALTA DE MEDICAMENTOS NOS HOSPITAIS EM ANGOLA, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS

No passado dia 27 de Maio a Omunga no âmbito do projecto Corrupção é Crime, realizou a 12ª edição do seu programa radiofónico, onde abordou sobre “A FALTA DE MEDICAMENTOS NOS HOSPITAIS EM ANGOLA, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS”

Em estúdio estiveram: Juca Manjenje, Sociólogo; Finúria Silvano, Activista Social; Gabriel Romeu Activista da Omunga. Importa referenciar que o debate foi moderado por Donaldo Sousa.

 Convidados a fazer uma caracterização geral do sistema de saúde em Angola, os intervenientes reagiram da seguinte maneira:

Finúria Silvado: a falta de medicamentos nos hospitais causa um dano muito grande, porque a saúde é um bem principal para todas as pessoas, e um hospital é o órgão do estado com competência para tratar a saúde de seus cidadãos. Nas nossas constatações pudemos verificar que os hospitais não têm condições médicas e medicamentosas apesar da ministra da saúde passar uma informação diferente.

Juca Manjenje, começou por narrar uma fábula fazendo significar que quando os cidadãos não se envolvem na resolução dos problemas colectivos, volta e meia serão afetados individualmente. E seguiu dizendo que das muitas causas possíveis sobre a falta de medicamentes, estão ligados aos problemas de implementação das políticas públicas, lamentando assim a ausência do representante da Direcção Provincial da Saúde de Benguela para responder à várias questões relativas ao debate.

Juca afirmou que “os nossos políticos não frequentam os nossos hospitais porque conhecem bem a situação em que os mesmos se encontram, e esta disparidade provoca cada vez, mais a queda da melhoria dos serviços nos hospitais públicos e não só”.

“Em angola ainda assistimos que as farmácias privadas, têm mais medicamentos que as do Estado, onde até uma simples seringa, os nossos familiares é que têm que comprar”. Os nossos governantes não sentem a dor do povo, e enquanto continuarmos assim vamos ter sempre os mesmos problemas.

Por sua vez, Gabriel Romeu, caracterizou a situação dos hospitais como muito doloroso para toda a sociedade.  O mesmo informou que a Omunga tem realizado visitas à algumas unidades hospitalares e os cenários que se têm constatado são surpreendentes. A falta de medicamentos, a falta de camas, a falta de água, e uma série de doenças ligadas a malária, desnutrição e outras.

“Enquanto Omunga, colocamos a questão da saúde como um direito humano fundamental sem o qual, a nossa dignidade enquanto cidadãos está beliscada. A partir daqui podemos dizer que a violação do direito à saúde está relacionada com outros pois os Direitos humanos têm uma característica de independência. Os tipos de doenças que temos estado a verificar como desnutrição, malária e tuberculose indicam fragilidades nas famílias e a degradação de todo tecido social” rematou Gabriel.

Outra questão que mereceu atenção do moderador, foi o facto de muitas farmácias privadas serem mais recheadas que as públicas.

A esta questão, os intervenientes ao debate debruçaram-se da seguinte maneira:

Finúria Silvano colocou um desafio ao Presidente da República, Ministra da Saúde, Governador Provincial e ao Director Provincial da Saúde de Benguela, no sentido de criarem condições que possam garantir maior dignidade aos doentes que frequentam as nossas unidades hospitalares públicas. “As Direções dos hospitais têm que compreender que os pacientes devem ser tratados com respeito e dignidade, porque ninguém vai ao hospital para brincar”.

O Governo deve criar condições para que os hospitais tenham condições adequadas, porque recentemente constatou-se que no hospital pediátrico de Benguela estavam a fazer a arrumação de camas compradas no mercado informal.

Juca Manjenje ao tomar novamente a palavra, argumentou que é muito característico em Angola que tudo que é privado aparenta ser melhor que as instituições do Estado, dando o exemplo das escolas e hospitais públicos, sendo o mesmo em relação às farmácias. Na sua visão as farmácias dos hospitais públicos não têm capacidades para atender as receitas que os médicos passam aos pacientes. “Geralmente as farmácias nos fornecem apenas analgésicos, mas nunca encontramos os medicamentos que combatem as doenças”, Disse.

O assunto é tão sério, que se olharmos para Benguela, é fácil constatar que diariamente morrem de 4 a 5 crianças, e as principais doenças são a desnutrição e a malária e, segundo a DW no mês de Abril, só no hospital de Benguela, morreram 150 pessoas, o que é um número bastante preocupante.

“Nós aguentamos 500 anos de colonização e muitos anos de guerra, mas não estamos a conseguir combater os mosquitos e a fome, o governo deveria combater a fome e a pobreza antes de se preocupar com a Praia Morena”.

Enfrentamos diariamente situações que colocam em risco a vida das pessoas, e quando vamos ao hospital, nos deparamos com os problemas da falta de condições.

Gabriel Romeu enquanto activista da Omunga salienta que estamos diante de uma flagrante violação dos direitos humanos. “Quando estamos a falar dos problemas da saúde, estamos a falar da violação de vários outros direitos”.

Em princípio é da responsabilidade do estado regular toda a produção e distribuição de medicamentos ao nível nacional, e antes das farmácias privadas o Estado deve certificar que as nossas farmácias públicas tenham as condições.

Ao abrir-se o espaço de intervenções aos ouvintes, vários foram os pronunciamentos nos seguintes termos:

O ouvinte Paulo Sapalo, disse que muitos profissionais dos hospitais não fazem o seu trabalho com amor e carinho, fazem apenas pelo dinheiro. “Os nossos irmãos profissionais de saúde devem ser mais carinhosos. O quadro da situação actual da saúde deve ser mudado pelo governo com a colaboração dos cidadãos”, disse o ouvinte.

Para concluir, Gabriel Romeu salientou que as autoridades devem tomar em conta que durante algum tempo foram realizadas algumas feiras de saúde, é importante que essas feiras continuem de formas a ajudarem os hospitais a contribuírem na minimização dos problemas de saúde. O Estado deve estar mais atento às organizações da sociedade civil de formas a trabalharem em conjunto.

Juca Manjenje concluiu solicitando que os nossos governantes tenham que desenvolver pelo menos algum amor ao próximo, só assim conseguirão sentir as dificuldades que os cidadãos passam. E exortou a importância da descentralização e desconcentração do poder.

Finúria Silvano deixa o apelo ao Governador de Benguela no sentido de criar condições para que os demais municípios da província tenham blocos operatórios em condições.

O Debate Radiofónico sobre a Corrupção é realizado quinzenalmente e conta com o apoio da Misereor.

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