RESUMO DA 14ª EDIÇÃO DO PROGRAMA RADIOFÓNICO SOBRE A CORRUPÇÃO


TEMA: A PROBLEMÁTICA DA SECA NO SUL DE ANGOLA E A SUA IMPLICÂNCIA NA VIDA DAS CRIANÇAS.

No âmbito do projecto Corrupção é Crime, a Omunga realizou no dia 17 de Junho a 14ª edição do programa radiofónico, onde abordou sobre “A problemática da seca no sul de Angola e a sua implicância na vida das crianças”

Convidados: Martins Domingos, activista cívico e político; José Mulangue, sociólogo.

 No primeiro momento, o moderador do programa Donaldo Sousa, começou por introduzir o tema falando sobre o actual momento que o continente africano vive de grandes incertezas para a salvaguarda dos Direitos da Criança, bem como o impacto negativo que a seca está a  trazer na vida de muitas famílias e particularmente crianças  que muitas das vezes são obrigadas a abandonar as aulas e partir em outras localidade em busca de pão.

Quando tomou a palavra, o sociólogo e docente José Mulangue na sua abordagem, afirmou claramente que, “A questão da seca, não pode ser um assunto discutido em pleno século 21, porque são problemas já conhecidos há muito tempo por parte de quem nos governa”, que se existisse alguma vontade política, o mesmo já seria ultrapassado.

José Mulangue acrescentou ainda, que o momento actual em que vivemos, a fome fala mais alto, como por exemplo, falta quase tudo, os bens da cesta básica têm o custo cada vem mais alto, e que os nossos salários são cada vez insignificantes, há um aumento da taxa de desemprego. É uma preocupação muito grande a ter em conta.

Para o activista Martins Domingos o fenómeno da seca já é recorrente no sul do país, apesar da falta de vontade política, também existe a falta de estratégia de resolver o problema. “Angola tem tudo para dar certo, o grande problema é que, durante esse tempo todo, quem governa não teve a capacidade de fazer uma avaliação do ponto de vista da sua governação, no critério de amor ao próximo”, disse o activista ambiental.

Martins Domingos acrescenta que se olharmos para o artº 80 da nossa constituição, diz que é responsabilidade do Estado equilibrar o modo de vida das crianças.

“A SITUAÇÃO DA CRIANÇA NO NOVO CONTEXTO”

José Mulangue: A situação da criança nos dias hoje é triste, mas já era previsível porque as condições de vida das famílias angolanas estão cada vez mais a degradar-se, porque quem nos governa nunca prestou atenção nesses sinais ou se o fez nunca se deu a devida importância.

É de facto muito triste, olhando um pouco naquilo que se ouve a nível dos hospitais, como foi dito aqui antes da introdução do programa, a situação que provocou a visita da Ministra da Saúde nas outras paragens, como se fosse uma Bombeira a apagar as chamas, que nem devia ser assim.

Já aconteceu algo parecido num hospital de Luanda, em que se fez um vídeo  que depois circulou nas redes sociais, onde mostrava pacientes deitados no chão que provocou a exoneração do director. Diante dessas situações nos faz pensar então que existem medicamentos e equipamentos e apenas se entrega, porque quem deve fazê-lo prefere guardar ou esperar que haja uma chamada para aparecer como salvador ou  que está a  trabalhar.

É lamentável quando a nassa verdadeira preocupação é mesmo a situação da Malária, Paludismo, Dengue, que tem ceifado muitas vidas das crianças. Tudo isso são relatos que ouvimos de funcionários que trabalham nos hospitais (públicos).

Quando eu disse inicialmente que não temos que abordar sobre a questão da seca, não é no sentido de anular aquilo que pode ser ocasional pela própria natureza, mas no sentido de que algumas realidades que o país enfrenta deveriam ser criadas soluções sustentáveis.

Acrescenta ainda, que nós   somos um país abençoado com muitos rios, e muitos solos aráveis, portanto é algo difícil de compreender, só mesmo alguma falta de vontade política para não eliminar por completo este problema da Seca e fome.

Durante o debate, o ouvinte António Jinja Jorge comentou o seguinte na transmissão da página facebook da Omunga:  Bom dia Rádio Eclésia e convidados ali presente, sou o António Jinja Jorge, teclo a partir de Benguela, Bairro Calohombo. Falar da fome e seca em Angola é falar de um problema antigo que poderia já ter sido ultrapassado se houvesse vontade política e de governação por parte do partido no poder, mais do que isso, muitos dos dirigentes do MPLA continuam a roubar bens públicos num momento em que as pessoas morrem de fome, sede e doença, ao invés de investirem o mesmo dinheiro roubado nas mais variadas fábricas abandonadas para poder gerar empregos e tirar muita gente da pobreza e miséria, preferem enterra-lo nas fazendas e comprar casas de luxo fora do país, a solução disso tudo é tirar o MPLA do poder para ganharem experiência de governar na oposição!!!

SERA QUE SOMOS CONOTADOS COMO O PAÍS “RICO MAIS PROBRE”?

Martins Domingos: Penso que sim, porque o nosso país não sabe valorizar as riquezas que temos, e tudo isso é propositado, porque os partidos comunistas sobrevivem do povo pobre e analfabeto, porque um pobre não tem a capacidade efetivamente de participar na vida pública e política do pais e também não tem como exercer a sua própria cidadania. A visão é empobrecer, para efectivamnte conseguir se manter no poder, porque o pobre não tem convicção.

QUE FUTURO PODEMOS ESPERAR DAS CRIANÇAS A ABANDONAR A ESCOLA, A COMERCIALIZAR NAS RUAS ENTREGANDO-SE MESMO PARA PROTITUIÇÃO EM ÚLLTIMA INSTÂNCIA A MORRER DE FOME?

José Mulangue:  Se as famílias são pobres, não podemos esperar muito, não tem como dar dignidade a essas crianças. Isso também limita aquilo que é a participação social dos indivíduos que fazem parte das famílias.

Martins Domingos: Era de se esperar, o país em que nós vivemos, os programas que equilibram certas medidas de qualidade de vida do cidadão estão efetivamente desarticulados, ultrapassadas, os cidadãos vão em busca de outros meios para a sobrevivência, porque eles perderam a fé, a esperança, muitos deles desistiram da vida e em função da própria capacidade governativa, não mostram uma esperança para o equilibrio da vida dos cidadãos.

Outro ouvinte comentou o seguinte: Saudações fraternais ao grêmio. Sobre o tema é triste, vermos dirigentes a virem dar sextas básicas e dizerem que estão a se solidarizar, que solidarização, dar o que têm tirado do nosso erário?

É triste estes dirigentes que nem sabem governar á mais de duas décadas, vendo crianças a panharem trigo, é penoso, hospitais abarrotados, estradas cheias de pessoas a espera de táxis.

 

SE O GOVERNO DECRETAR ESTADO DE EMERGENCIA, SERA QUE NÃO PERMITIRIA AS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS HUMANITÁRIAS SE ENVOLVEREM NO COMBANTE A FOMES?

José Mulangue: Nessa perspectiva podemos encontrar algumas soluções, a questão das autarquias seria uma das formas de localmente fiscalizar a actividade de quem governa no sentido de dar prioridade aqueles problemas concretos, como é o caso da fome. Isso é, exigir mais efetivamente ao nível da política social para as familias  aumentando  o poder de compra. 

Para conseguirmos combater a fome e a pobreza  deve-se  olhar efetivamente  pelas prioridade da população. Na necessidade do acesso a água, alimentação, a possibIlidade das rendas familiares, conhecendo de quê as famílias vivem, potencializar o comércio e prestar uma educação com mais qualidade, seguindo esses caminhos muitas coisas vão mudar, concluiu José Mulangue.

O Debate Radiofónico sobre a Corrupção é realizado quinzenalmente e conta com o apoio da Misereor.

 

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