RESUMO DA 11ª EDIÃO DO PROGRAMA RADIOFÓNICO “CORRUPÇÃO É CRIME”


TEMA: O PAPEL DO JORNALISTA NO COMBATE À CORRUPÇÃO EM ANGOLA

No passado dia 13 de Maio a Omunga no âmbito do projecto Corrupção é Crime, realizou a 11ª edição do seu programa radiofónico, onde abordou sobre “O papel do Jornalista no Combate à corrupção em Angola”.

Em estúdio estiveram: João Marcos, Jornalista e, José Ramo, Jurista.

João Marcos enalteceu a iniciativa da Omunga em desenvolver temas que visam contribuir para o bem-estar dos cidadãos.

Na sua visão sobre o papel do jornalista no combate contra a corrupção, Marcos acredita que actualmente a corrupção ganhou corpo em Angola. “Nós vemos hoje um país degradado pela corrupção que invadiu quase todos os sectores”. Na sua visão, o Jornalista independente em Angola sempre esteve bem e no novo paradigma onde se exige muito dos órgãos de justiça, os jornalistas não devem estar de braços cruzados, devem estar lá para denunciar actos que corrompem o bem-estar dos cidadãos. “Precisamos refletir se actualmente temos um ambiente que permite o jornalista trabalhar de forma imparcial, mas apesar disso, não podemos nos sentir intimidados”.

Claramente que hoje o jornalismo em Angola não anda bem, actualmente existe uma grande regressão, e isto se revela na forma como estamos a encarar o combate à corrupção, onde o espírito de autocensura está corrompido. “Actualmente temos em Angola poucos jornalistas para a quantidade de males que existem na sociedade, há uma série de obstáculos que devem ser ultrapassados.

O Jurista José Ramon, parabenizou a Omunga pelo convite e pelas acções que tem desenvolvido em prol da sociedade e entrou na natureza do tema salientando que o combate contra a corrupção deve ser visto de forma séria.

No combate à corrupção o jornalista tem um grande papel no sentido de transmitir às pessoas tudo o que se passa, pois se trata do principal actor de investigação e denúncias de crimes. “é importante que o jornalista busque mais e seja mais usado”.

Precisamos tomar nota que a questão do combate à corrupção devia ser visto como uma prioridade principal do nosso dia-a-dia e nesse processo, “O jornalista é um veículo de informação, e no meu ponto de vista, o jornalista é o segundo poder que existe no seio da sociedade”, rematou.

Referiu sobre o caso recente do Jornalista Francisco Rasgado, que foi detido pelas forças judiciais acusado de denunciar uma matéria que foi comprovada como verídica em tribunal. “Se o tribunal vem legitimar que o exercício do jornalista não violou a lei, mas pelo contrário foi provado o crime denunciado, então devemos dizer que houve violação do exercício da actividade jornalística.

Ainda sobre o caso do Jornalista Francisco Rasgado, José Ramon na qualidade de jurista exprimiu que todo o cidadão tem sempre uma proteção garantida na constituição da república e ninguém deve ser preso arbitrariamente. “Não se pode brincar com a liberdade das pessoas”.

“O acto de detenção do jornalista foi um atropelo grosseiro à constituição da república e à outras leis que vigoram no nosso país, até porque o cidadão está bem identificado, tem o seu termo de residência e não apresentou perigo nenhum”.

Para João Marcos, no actual contexto ainda se vive o obstáculo da fonte de informação, ainda se assiste instituições publicas em atropelo de certos princípios constitucionais, onde fornecem as informações de forma selectiva. “Nos temos que continuar a lutar para fazer face a estas contrariedades”, porque o jornalismo deve sair do estado em que se encontra”.

Para Silvano Olímpio, um dos ouvintes, o jornalista tem um papel importante no seio da sociedade, mas a maioria  no nosso país fazem o trabalho de “faz de contas”, porque o estado angolano usa os mesmos para os seus interesses, e os profissionais perdem o poder de fazerem o jornalismo com verdade, imparcialidade e Liberdade. “Já estamos no século 21, que por sinal é o século da verdade, então seria bom que os profissionais exerçam as suas actividades de forma destemida”, disse o ouvinte.

Dando sequência a conversação, João Marcos salienta que o jornalista em Angola funciona como se estivesse amarrado, porque não consegue fazer o seu trabalho com independência, porque a sua maioria está directamente ligada ao aparelho de estado que este por sua vez reprime todos argumentos que possam beliscar a sua imagem. Os jornalistas independentes não têm problemas nenhum em investigar casos de corrupção que envolvas altas personalidades do aparelho de estado.

Para o Jurista José Ramon, existem situações que não devem ser resolvidas por leis, e se os jornalistas não forem incluídos nos processos de combate a corrupção, não conseguiremos combater este mal somente com as instituições e os tribunais.

Precisamos valorizar e incentivar os jornalistas para que possamos aumentar o número de jornalistas que investiguem e denunciem actos de corrupção em Angola. “Não devemos menosprezar o trabalho de nenhum jornalista, pelo contrário temos que exaltar os esforços que têm feito”, disse José Ramon.

Em gesto de conclusão Rosé Ramon considera que os jornalistas têm um grande papel na luta contra a corrupção tanto sistémica como a endémica e incentiva os profissionais a exercerem as suas actividades sem medo de serem intimidados e reprimidos.

João Marcos conclui que é importante encorajarmos os que não fazem, a fazerem o bom jornalismo, na sua opinião, é verdade que muita coisa deve ser melhorada, mas não podemos lamentar pelas falhas que nós como cidadãos temos o poder de contribuir pelas mudanças em nome do estado de direito.

O programa radiofónico sobre a corrupção é realizado quinzenalmente na frequência 99.7 da rádio Eclésia de Benguela das 08h30 às 10h00.

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